Temos que falar do trabalho de Luís Castro no Levante
Temos que falar do trabalho de Luís Castro no Levante.
Quando chegou, em dezembro de 2025, o Levante era último classificado da LaLiga, a seis pontos da salvação. Uma equipa praticamente dada como morta na luta pela manutenção.
Hoje, está salvo. E a forma como lá chegou é que torna esta história notável.
Nas últimas dez jornadas, o Levante somou 19 pontos. Nesse período, foi a terceira melhor equipa de toda a LaLiga, a apenas 1 ponto do Real Madrid e a 5 do Barcelona, que fez 24. Quando a equipa mais precisava de mostrar as garras, foi precisamente aí que respondeu, com método e com uma ideia de jogo clara transmitida a um grupo em sofrimento.
E este percurso ganha outro significado quando se olha para trás.
Luís Castro venceu a Youth League pelo Benfica, uma das maiores conquistas da formação portuguesa. Passou depois pela segunda divisão francesa, fez um bom trabalho, e rumou ao Nantes. A passagem não correu como esperado, mas mostrou momentos da sua qualidade.
O mais revelador veio depois. O presidente do Nantes, Waldemar Kita, criticou-o publicamente de forma dura. Disse que Castro era "um formador" que "não pode ter sucesso". Disse que se arrependia de ter contratado um treinador "sem experiência" vindo da Ligue 2.
Hoje, esse mesmo treinador acaba de salvar um clube da primeira divisão espanhola.
O rótulo de "formador" foi usado como crítica. Mas o que é ser formador, senão saber desenvolver, ensinar e fazer crescer? Foi exatamente isso que ele fez a um plantel inteiro em poucos meses.
Acredito que as gentes do Levante o vejam hoje como um herói. E com toda a razão.
Às vezes, aquilo que apontam como o teu maior defeito é, afinal, a tua maior qualidade. Depende apenas de quem está a olhar.
Artigo escrito por Guilherme Costa


