Fisioterapia no Futebol
O diário de uma época. Artigo de reflexão
Fisioterapeuta no desporto na edição da Liga Portugal 2, Meu Super
Trabalhar como fisioterapeuta na competição supracitada tem-se demonstrado desafiante, mas, ao mesmo tempo, gratificante. Desafiante, pela exigência da competição, pelo profissionalismo inerente à mesma, e, pelas suas implicações no jogador, mas gratificante pelo facto de poder, recorrentemente, presenciar e/ou conhecer novos colegas e/ou realidades dentro da minha área de intervenção, pelo facto de me estimular a procurar continuamente por mais conhecimento para uma resposta mais assertiva e competente às necessidades da equipa que represento, a União Desportiva de Leiria, e, ainda, pelo facto de me permitir conhecer algumas das instituições desportivas mais representativas do nosso país.
Pré-época
O treino de pré-época pode ser esgotante e deveras exigente, não só para os jogadores, mas também para a equipa de apoio. Normalmente dura, sensivelmente, um mês, e o segredo nesta fase é condicionar gradualmente os jogadores a serem tolerantes a uma longa época. Por isso, as sessões de treino são longas e os jogadores são testados tanto física como mentalmente. Invariavelmente, nesta fase da época, as lesões por sobrecarga são as mais comuns, uma vez que as cargas são, geralmente, mais elevadas que no decorrer da época em si. Assim, o fisioterapeuta tem um papel importante na avaliação da condição física dos jogadores dia após dia, monitorizando eventuais lesões que tenham ocorrido ou possam estar a evoluir, e, claro, na reabilitação.
A Época Desportiva
Todos os intervenientes diretos e indiretos do futebol ficam empolgados quando a época se inicia. Grande parte do treino, fortalecimento e planeamento foi feito para, finalmente, trabalhar em prol do objetivo final: conquistar os três pontos. À medida que a simulação de partidas aumenta no final da pré-época e nos aproximamos dos jogos, a incidência de lesões agudas de tecidos moles e lesões por contacto tornam-se mais comuns. Deste modo, compete ao fisioterapeuta avaliar, regularmente, os jogadores que apresentem algum tipo de queixa para orientar e estruturar a sua semana de trabalho. Na presença de lesão deve existir uma abordagem estruturada para os devolver a campo e poderem competir sem quaisquer limitações, e, por isso, deve existir uma discussão positiva entre o departamento médico para coordenar a respetiva reabilitação. Mais acrescento que, o fisioterapeuta é, comummente, responsável pela preparação dos jogadores para os treinos e para os jogos (como ligaduras e tratamentos).
Desafios e Recompensas
Um dos maiores desafios enquanto fisioterapeuta na UDL é a dinâmica de equipa e a comunicação. No departamento de futebol, existem aproximadamente 50 membros. Isto inclui jogadores, pessoal de apoio, pessoal médico e de condicionamento, treinadores e administração. Para que o sucesso da equipa ocorra, todos estes intervenientes devem estar alinhados e comunicar devidamente.
A recompensa, na minha perspetiva, prende-se com o facto de permitirmos ao jogador a capacidade de este se tornar mais resiliente, de superar as adversidades pertencentes às lesões, e, por último, de regressar ao campo para permitir o seu sucesso individual e o da equipa. Trabalhar próximo de um desporto de competição é uma descarga de adrenalina, pois é uma oscilação entre o sucesso e o insucesso. Isto é gratificante!
Testemunhos
Daniel dos Anjos – O fisioterapeuta é muito importante para nós. Pois é através dele e da sua experiência que estamos melhor preparados para os treinos e para os jogos, e, este profissional ajuda-nos muito a evitar lesões durante a época. Se nós jogadores jogamos tantos jogos durante uma época é também graças ao fisioterapeuta que nos deixa preparado para isso!
Jordan van der Gaag – Para mim um fisioterapeuta no futebol é das coisas mais importantes, não só para recuperar mas também para prevenir lesões. Desde que comecei a trabalhar com fisioterapeutas que me tenho sentido muito mais capaz fisicamente, e, aguentado os 90 minutos num jogo.
Juan Munoz – Para mim o ideal seria começar uma hora e meia antes do treino e que toda a equipa estivesse já no balneário; que tivéssemos no mínimo 3 ou 4 fisioterapeutas; que 1 fisioterapeuta saísse diariamente para campo com um médico e os restantes fisioterapeutas ficassem, logicamente, a trabalhar com os lesionados no estádio. Teríamos mais tempo, o trabalho seria muito melhor, tanto para o jogador como para o fisioterapeuta. Depois do treino terminaríamos todos mais cedo. E, isto, para mim, seria um bom trabalho por parte do departamento médico.
Artigo escrito por Pedro Brites, Fisioterapeuta da UD Leiria SAD


